
Sou um portoalegrense convicto. Nasci nesta cidade e por ela tenho um carinho especial. Quando adolescente ouvia amigos estrangeiros reclamarem da quantidade de ruas de paralelepípedo em Porto Alegre. Segundo eles, a modernidade se instalara na malha viária de suas metrópoles sob a forma de uma espessa camada negra.
Dores-de-cotovelo à parte segui crescendo entre pedras e atualmente acho um charme incrível estas ruas revestidas de história e tradição, e é exatamente por isso é que com tristeza e indignação observo o asfalto tomando conta das ruas de minha cidade. E me pergunto: O que há de moderno em sufocar bueiros e reduzir drasticamente a altura dos meio-fios? Como se não bastasse a sandice do poder público, a iniciativa privada também chama para si o direito de destruir, revestindo até mesmo as vias da histórica Cervejaria Continental da Brahma, na rua Cristóvão Colombo, onde hoje se encontra o Shopping Total.
O mais curioso de tudo é que depois de acabarem com a permeabilidade das ruas, governo e sociedade civil discutem, arquitetam e implantam sistemas subterrâneos de coleta da água das chuvas. Alguém entende isso?